"sua realidade segura por um fiapo de cabelo"

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Trecho do conto: A Cidade das almas adormecidas

Por meio deste conto podemos analisar e compreender em que modelo de sociedade em que vivemos e os valores que reproduzimos ao logo das décadas e séculos.

Vários autores. Organização de Antonio Arnoni Prado, Francisco Foot Hardman e Claudia Feierabent Baeta Leal. Editora Martins Fontes, 344 páginas.

A Cidade das almas adormecidas – FELIX LÁZARO

Só a imaginação humana, em sua louca carreira ascendente às regiões do abstrato, pode colocar a Eros na abrupta montanha em que se achava.

Sobre a base de sua cúspide se estendia, como alguma coisa enigmática e inescrutável, a Cidade das Almas Adormecidas, onde moravam os “homens”.

E assim, em perpétua intangibilidade, viveu Eros por espaço de muitos séculos à margem dos que o haviam criado.

Mas chegou o dia em que o deus do Amor se transformou de divino em humano, e disse a seu coração:
– Estou cansado de minha solidão e destas alturas; quero descer até os homens e saber de que maneira vivem. Já é hora – seguiu dizendo – de que mitologia divina criada pelos gregos conheça algo que seja relativo ao mito humano universalizado.

E Eros, com passos firmes e longos, foi descendo da montanha até chegar ante as portas da grande Cidade das Almas Adormecidas. Sobre o pórtico havia uma inscrição, em que se lia: “Europa, Ásia, África, América e Oceania.”
– Alfa! – gritou Eros, e as portas se entreabriram.
O tempo (um ancião de longas barbas prateadas) fez a sua aparição naquele momento e perguntou-lhe:
– Que buscais entre os que dormem?
– Busco aos homens. Que me dizeis deles?
– E que poderia dizer-vos? Entrai e podereis apreciar como vivem, já que a isso chamam viver.

O Tempo abriu as portas, par a par, e Eros em companhia do ancião pôde penetrar no interior da Cidade das Almas Adormecidas.

Um odor húmido, penetrante, semelhante a infinidade de gerações reduzidas a pó, se percebia por todas as ruas e praças.

Sobre a base de um magnífico mausoléu, que servia de pedestal à figura de um herói morto em holocausto à pátria, jazia cravado um enorme ataúde.
– O que contém esta caixa? – perguntou Eros ao Tempo.
– Os restos das civilizações passadas- respondeu aquele.
– Das civilizações passadas?
– Sim, isto é, dos homens que, segundo eles trouxeram as primeiras luzes à Humanidade.
– Falaste de luzes resplendores*?
– Sim.
– Não compreendo. Minha vista é muito aguda e, não obstante, emrredor, só vejo luzes extintas. Porém, vejamos – insistiu de novo Eros. – Quem dirigiu o Destino dos povos na Antiguidade?
– Sacerdotes, reis e imperadores. Que outros personagens podem fazê-lo? Eles legaram às gerações futuras páginas brilhantes para a História, nas quais as grandes conquistas de povos e continentes inteiros sucediam-se umas às outras com prodigiosa rapidez. A Antiguidade – seguiu dizendo o Tempo – foi pródiga em heróis. As condecorações choviam sobre o peito dos reis e imperadores como uma coisa prodigiosa.
Calou-se o Tempo.

Eros, entretanto, reflexionava sobre o que ouvia. E, finalmente, inclinou-se sobre o ataúde e, levantando a tampa, pôs-se a examinar o interior.

Ossos, túnicas e metais preciosos se confundiam em uma massa compacta; porém, o que mais chamou poderosamente a atenção de Eros foi um montão de coroas reais, cetros, cruzes oficiais e outras muitas condecorações de Estado que havia sobre um ângulo de caixa.

E, à vista de tantos ornamentos, pediu ao Tempo que o conduzisse a outros lugares menos silenciosos, porque alí começava a aborrecer-se.

Acedeu o tempo; porém, no momento em que se dispunham a abandonar o lugar, um furacão sacudiu violentamente o ataúde, despejando-o.

E produziu uma coisa assombrosa, imprevista.

Do interior daquele montão enorme de despojos, saíam, em estrepitosa sinfonia, gritos agudos, queixas, risadas de loucos.

Por debaixo dos escudos, coroas e demais ornamentos governamentais, corria um caudaloso rio de sangue humano, e, por entre o sussuro das águas rubras, percebiam-se mães desesperadas, um rumor surdo que era todo um poema de dor humana.
– Que significa tudo isso? – perguntou Eros aterrorizado.
– Significa o fruto, o resultado de todas as conquistas, de todas as vitórias do homem sobre si mesmo. – respondeu o Tempo.
E Eros disse ao próprio coração:
– Onde os homens só vêem louros e vitórias, unicamente, crimes.
– Feche esse ataúde – continuou – que só ossos e horrores contém, e deixemos os nossos antepassados dormindo eternamente, já que nos legaram, somente, obras defeituosas e monstruosos crimes. Sigamos ao lugar onde existem os homens vivos, se é que ainda existem nesta silenciosa cidade.
Passados instantes, achavam-se ambos ante enorme edifício, onde uma multidão informe movia-se ao compasso de um ritmo estranho.

Máquinas, muitas máquinas; buzinadas, fábricas, ateliês, homens, coisas: tudo se confundia naquele local em contínuo tropel.

E o Tempo, dirigindo-se a Eros, disse-lhe:
– Eis aqui os que vivem, os homens atuáis. Vivem em sociedades dirigidas por um Estado.

Vários autores. PRADO, Antonio Arnoni (org.); HARDMAN, Francisco Foot (org.); LEAL, Claudia Feierabent Baeta (org.). Contos anarquistas. Editora Martins Fontes.

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Retrato – Sepultamento do Brasil

Hoje encontrei uma senhora, sua filha e seu neto, aguardando a solidariedade de alguém que pagasse uma passagem para uma idosa acompanhada de sua filha com o bebê, que não é permitida passar pela CATRACA nem por solidariedade do fiscal que assistia a angustia e miséria, vieram para São Paulo por um sonho que está se tornando trágica, apenas a quatro semanas e não tem onde morar.

Alan Delon, nome do bebê de seis meses, sua Mãe e Maria Lucia, vieram do Mato Grosso, com pouco de suas economias em mãos, algum tanto de correntes de ouro, barrinhas de ouro, seu futuro, passado e presente, guiados pelo sonho que viram na televisão. São quantas favelas, moradores de rua e toda a população que ocupam prédios em busca de abrigo na cidade que mais tem moradores de rua. Não é evidente?

Sonhos destruídos com a desigualdade social em São Paulo, terra dos quarteirões mais caros, dono da cultura de maior miscigenação imigrante, desde o Indígena, ao Europeu até os pontos mais distantes do mundo e mesmo do Oiapoque ao Xuí, essa Terra de Culturas intensas, esta São Paulo bela e rica, no aspecto Cultural, hoje está mais próxima do “American Way Of Life” do que nunca, somos a nova sociedade do consumo de produtos norte-americanos, idolatramos e queremos ser como eles. [Me excluo desse sonho comum escroto]

Vimos que nossa rica e linda Cultura será esquecida por esse parasita cultural. Não somos o Brasil, estamos distantes dele, vendo e ajudando sua cultura morrer pela do conquistador de mercado, publicidade, imprensa e hábitos de vida. Sejamos fortes diante destes verdadeiros bárbaros. Os impactos culturais e na educação, além do consumo, estão sendo devastadores.

Adeus Brasil, te vejo sendo enterrado por aqueles de sua terra, gente de você mesmo, o sepultam.

Retrato de uma esperança para aqueles que foram esquecidos pelo Estado

“Todo aquele que contesta a autoridade e luta contra ela é um anarquista”, Sebastien Faure.

Um grupo de jovens estudantes dos mais variados cursos, membros de diversas classes sociais, com uma coisa em comum, a indignação ao Estado, que atende aos interesses do Capital e não da população a qual deveria ser ouvida e assistida por este que os ignora e exclui.

Estamos diante de uma selva, um mundo cruel e distante da fantasia exposta pela televisão. Jovens com ideais junto aos excluídos, moradores de rua, crianças viciadas em tíner, adultos alucinados pelo crack. Nesta realidade dura e sentenciada pelas classes que excluíram os que vieram sonhando com uma São Paulo de oportunidades, esta que brilha diante dos olhos de homens que estão nos pontos mais distantes do Brasil e são jogados ao purgatório dos vivos, a rua e a marginalidade que destrói com a humanidade destes sujeitos ingênuos que estão diante da tragédia de suas vidas, a rua, a fome, a violência e o frio. Aquele que sofre ao encontro com o extremista de direita que pode acabar com sua vida ou pode quebrá-lo e destruí-lo, morte para o homem que não existe para o estado. Este pode estar vulnerável a violência policial e ao descaso social. Que por fim encontra um lugar que o abriga, que o trata com fraternidade, e que se choca diante do Jovem que também está perante a um mundo mais suburbano que existe. O choque de realidade do morador e do estudante engajado, pode ser a mais dura lição da realidade a um jovem que não se alimenta do fútil e da ilusão que domina o homem moderno. Somos membros de uma geração pós-moderna e revolucionária de pensamento, que diante de intempéries pode ser a solução para a sociedade no futuro.

Temos pensamentos libertários, uma micro sociedade auto gestora, que conta com a cooperação de todos os membros, que faz decisões consensuais e que coexiste com vários egos. Lutas e bandeiras que vão desde o Tarifa Zero até bandeiras com ideais contra o sistema, pensemos que são todos os opositores e indignados que se juntaram em um espaço anárquico ou uma comunidade libertária no coração de São Paulo, assim como a definição de uma sociedade que não necessita da existência ou presença do governo como mantenedor da ordem, esta que vem com a consciência e fraternidade do companheiro desta comunidade recém nascida. Sem a liderança e sob o respeito ao próximo, a luta é nobre e a ação é tanto quanto.

Universidade Livre, projeto que levam acadêmicos a aulas livres no Anhangabaú, permite acesso ao conhecimento para todos, desde um sujeito formado na USP ao analfabeto morador de rua, que entende melhor de história que o formado em engenharia no Mackenzie. Nobre ação de dividir o prato de comida com o irmão que mora nas ruas a vinte e seis anos, muito mais tempo que a vida do estudante que vos escreve, este que tem apenas vinte e três anos.

Podemos nos chocar e aprender, com a ação que atinge diretamente o vício de crianças de rua, em momentos e outros cruzamos com tais crianças cheirando garrafas de água, esta que geralmente tem 40mls de tíner, quando vemos tal cena, pode pensar em crianças buscando na alucinação do tíner o lúdico que não tiveram, querem ser criança, mas este é o caminho mais próximo da imaginação, a alucinação. Tal retrato é trágico, quando que em minha realidade estaria diante desta imagem infernal ou chocante, vista com os olhos do racional, elas precisam ser crianças nem que seja às 3 horas da manhã, diante de uma bola de futebol e jovens adultos estudantes, cansados de um dia de debates se divertem como crianças e brincam com aquelas crianças que largaram suas garrafas da alucinação de lado para apenas ser crianças. O camelô e amigo Alex afirma que as crianças de rua são filhos de maus pais, ou seja, pais ausentes, assim como daquele jovem da classe media que tem seus pais ausentes, são todos esquecidos pelos adultos. Ver uma criança de aproximadamente sete anos de idade jogando um aviãozinho de um lado para outro por entre as rodinhas de debates, e ter a atenção de um sujeito que o entretêm como um irmão mais velho ou um tio, na madrugada de 12 de dezembro, onde está o pai que não cuida desta vida, cadê a presença do Estado para proteger este menor do mundo cruel e selvagem. Vejam o impacto deste movimento de ocupação. Está diante de um modificador das vísceras, como acordar a população para tal realidade muito diferente do que está acostumado a ver na televisão, como acordar o jovem adormecido diante do novo Brasil “American Way Of Life”.

Passar horas conversando com um ex-presidiário que esteve diante do desmoronamento da “liberdade”, homens que sofrem com a exclusão de outra maneira, e que tem sua dignidade manchada com um carimbo do presídio.

Estive diante de um líder da Cooperativa de Catadores de Papel, outra realidade distante da fantasia, este que não é ouvido pela “autoridade” e que é invisível pela sociedade. Até aonde chega a exclusão da sociedade moderna, temos diversos perfis e grupos dentre os excluídos.

Enquanto poucos debatem as mudanças e ações de luta para o reconhecimento do Estado e da população, na Ocupação do Anhangabaú, outros se agregam pela segurança e chuva de oportunidades para a vida dessas pessoas excluídas, talvez serem ouvidas e ter suas lutas ecoadas.

Um ideal de revolução, que está mais próximo da Revolução Cultural que está fazendo, diferente das ocupações do restante do mundo, enquanto uns ocupam o prédio que abriga o leilão da economia mundial, nós nos deparamos com a realidade que deve ser ouvida e respeitada. Mas que façamos como a ocupação da Espanha, acordemos a população do estado de sono profundo e deitado eternamente em berço esplendido ao som do mar e a luz do céu profundo. Vamos trazer a população às ruas para debate e para lutar por um Brasil democrático. Tenho meus ideais anárquicos, mas a democracia e a fraternidade é o primeiro passo para a evolução anarquista.

“(…) o anarquismo é uma manifestação dos anseios naturais do ser humano e que a tendência a criar instituições autoritárias é que seria uma aberração temporária.” [página 38]

“(…) todos os anarquistas aceitaram a proposição de que o homem possui naturalmente todas as qualidades que o tornam um ser capaz de viver em liberdade e harmonia.” [página 22]

“Quem quer que coloque a mão sobre mim para governar-me é um usurpador e um tirano – eu o declaro meu inimigo” [pagina 36], Proudhon.

“(…) o anarquista rejeita tanto a democracia como a autocracia. (…) A democracia prega a soberania do povo. O anarquismo a soberania da pessoa. (…) As instituições parlamentares são rejeitadas porque significam que o indivíduo abdicou de sua soberania, delegando-a a um representante e, ao fazê-lo, permitiu que fossem tomadas decisões em seu nome, sobre as quais já não tem nenhum controle”. [página 35]

“As coisas não podem ir bem na Inglaterra, nem jamais irão até que todos os bens sejam comuns a todos, até que não existam nem servos nem senhores e sejamos todos iguais. Pois que razão tem aqueles a quem chamamos senhores para aproveitar-se de nós? O que fizeram para merecê-lo? Por que nos mantêm em servidão? Se descendemos todos do mesmo pai e da mesma mãe, Adão e Eva, como podem afirmar e provar que são mais senhores do que nós? Exceto talvez porque nos fazem trabalhar para que eles gastem!” [página 42] John Ball

“o anarquista vê o progresso não como o acúmulo constante de bens materiais ou como a complexidade crescente de estilos de vida, mas em termos de uma moralização da sociedade através da supressão da autoridade, da desigualdade e da exploração econômica.” [página 31]

“ideal, o estado em que o ser humano seria mais livre e em que – senhores de seus sentidos e apetites – os homens teriam maior capacidade para espiritualizar suas vidas. (…) Para Kropotkin, o luxo não é o prazer pelas coisas materiais, mas as delícias – as maiores que um homem pode desejar – da ciência, especialmente da descoberta científica, e da arte, especialmente a criação artística. Ao simplificar a vida de tal maneira que o tempo dedicado ao trabalho seria reduzido, o anarquismo acredita que o homem poderá voltar sua atenção para atividades mais nobres, atingindo o equilíbrio filosófico no qual a morte deixará de ser algo aterrorizante.” Para Proudhon, “a vida humana só atinge sua plenitude quando inclui o amor, trabalho e ‘comunhão social, ou justiça’. Preenchidas essas condições, declara ele, a vida é plena: ela é uma festa, uma canção de amor, um perpétuo entusiasmo, um infinito hino à felicidade. E não importa o momento em que o sinal possa ser dado, o homem estará pronto, pois ele está sempre morrendo, o que significa que está sempre vivendo e amando.” [páginas 30 e 31]

“o anarquista crê num anseio suficientemente forte, capaz de sobreviver à destruição da autoridade e manter a sociedade unida pelos vínculos naturais e livres da fraternidade.” [página 13]

“Não temos medo de ruínas – nós herdaremos a Terra. Não há menor dúvida quanto a isso. A burguesia pode fazer explodir e arruinar o seu próprio mundo antes de abandonar o palco da história. Nós trazemos o novo mundo em nossos corações. Esse mundo está surgindo nesse momento.” Boaventura Durutti, [página 12]

Acreditemos no paradoxo de ordem na anarquia.

WOODCOCK, George. 1912-1995. História das idéias e movimentos Anarquistas. Vol. 1 A Idéia. Tradução de Júlia Tettamanzy. – Porto Alegre: L&PM, 2010;

15 de novembro de 2011.

“Paz é a ausência total de guerra…” AL Alan Nunes

Um libertário teórico e militante… Eduardo Marinho –
http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms

15o – acordar para a realidade

Antes de escrever sobre o que eu vi e compreendi do movimento apolítico Ocupa São Paulo e o 15 de outubro. Me deparei com uma realidade dura, injusta e tive uma nova leitura mais humana do mundo que vivemos, compreender os problemas sociais, dentro do ambiente social do centro que se depara com a realidade das ruas e com os moradores de rua, crianças de rua e ver que o estado trata da vida de homens com tamanho desprezo e que todo o valor da vida é descartado para a marginalidade. Antes de expor a leitura desta nobre iniciativa bem elaborada e séria, sugiro a todos compreenderem os documentários abaixo para acordar para o Brasil real e não o lindo mundo da imaginação e da televisão. Para muitos a vida é uma tragédia e para poucos como nos a vida é uma ilusão e a realidade bem alienada ao conto de fadas da classe média.

Sei que em apenas algumas horas que me deparei com a realidade e com o mundo que fui ignorante, em pouco menos que um dia envelheci 10 anos.

Documentário que expõe as idéias e pensamentos do sujeito que foi responsabilizado pelos “protestos” de Londres, John Zerzan:

http://video.google.com/videoplay?docid=-7400393743229742503&hl=en

Conheça o sistema do consumo e o impacto disso na vida de desfavorecidos, ou a realidade de muito, diferente da vida de poucos que vivem e aproveitam da ilusão da riquesa:

A História da Água Engarrafada – Annie Leonard

http://vimeo.com/10751409

O Reino – Sébastien Hary

http://vimeo.com/13810139

A História dos Cosméticos – Annie Leonard

http://vimeo.com/13735569

A História do Mercado de Carbono – Annie Leonard

http://www.youtube.com/watch?v=IPS5jTwo1Tk&feature=player_embedded

Para matar um elefante (A Faixa de Gaza sitiada vista de dentro) – Partes 1 e 2 – Alberto Arce

http://vimeo.com/14678777

To Shoot An Elephant- Parte 1 from Kam on Vimeo.

http://vimeo.com/23707165

To Shoot an Elephant-Parte 2 from Kam on Vimeo.

A História das Coisas – Annie Leonard

http://vimeo.com/2021961

Somos Todos Sacys – Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha

http://vimeo.com/11609651

Tirem suas conclusões e se deparem com tais problemas que não são solucionados, tal modelo é o que está sendo aplicado aqui. A pior das tragédias é a realidade da vida de muitos sujeitos, se sua vida é o paraíso e o conto de fadas com o objetivo de viver feliz para sempre, trabalhar e voltar para casa assistir um filme, beber, comer e transar, sua realidade é diferente da maioria, acorde para a realidade.

Fonte dos documentários: Blog Viagem no Tempo.
Leiam e vejam:

http://15osp.org/

https://www.facebook.com/acampasampa

https://twitter.com/#!/ocupasampa

http://www.youtube.com/acampasampa

http://www.livestream.com/anonymousBR

http://www.youtube.com/user/AnonKayThePlan

http://ocupabrasil.wordpress.com/

http://ocupario.org/

http://15october.net/

http://ocupasalvador.wordpress.com/

http://acampadasalamanca.blogspot.com/

http://www.occupytogether.org/

http://occupywallst.org/

#AcampaSampa por democracia de verdade no Brasil

Vinte e sete após o histórico Comício pelas Diretas, o Anhangabaú é palco de manifestações por democracia. Passadas duas décadas da chamada “Redemocratização”, é hora de questionarmos se vivemos, de fato, em um país democrático. A cada dia fica mais claro que o poder econômico tomou o controle de todo o processo político, de modo que, diferentemente do que diz a Constituição, não somos tratados como iguais.

Os políticos em Brasília têm poder de decidir por eles mesmos qual será o salário deles e também o salário do trabalhador comum. Basta olhar a diferença absurda entre o contracheque deles e os nossos para ver que eles representam apenas os seus próprios interesses e os do pequeno grupo de privilegiados que concentra a maior parte da riqueza de nosso país.
Eles decidem quanto cobrarão de tributos e também como nosso dinheiro será gasto; eles decidem destruir as florestas e rios sem consultar a vontade das populações indígenas, nem a dos contribuintes que arcarão com os custos da construção da Usina de Belo Monte; eles gerem o transporte público, mas chegam para “trabalhar” de helicóptero; constantemente, policiais (agentes do Estado) extrapolam suas atribuições agindo com violência desmedida contra moradores de rua e da periferia bem como contra manifestantes pacíficos. E pior, fazem isso dizendo estar agindo em nosso nome. Esses e outros exemplos demonstram que ELES NÃO NOS REPRESENTAM.

O movimento popular plural e independente #AcampaSampa propõe democracia direta (real, verdadeira, que esteja presente no nosso dia-a-dia). Defendemos o direito a voz para todos nos debates e queremos mudança completa do sistema politico e exigimos o direito de participar na construção do nosso Brasil. Chega de decisões unilaterais concentradas nas mãos dos mais ricos dentre os ricos.

Anonymous – The Plan

Anonymous é uma ideia de liberdade, nosso objetivo e mudar o sistema atual, desejamos que os governos mundiais façam politica de forma transparente e que devolva a democracia ao povo.

Acordar Anarquista. Hoje é o momento no Brasil

O marxista vê a Revolução Anarquista como apenas manifestação. Cuidado com a tentativa do controle socialista da revolução anarquista que está eclodindo. Agora estou esclarecido. São contra qualquer poder capitalista, assim como a imprensa que cega a população. Por isso que queimaram a veja.

http://video.google.com/videoplay?docid=-7400393743229742503

Ska-p já havia dito: “solamente por pensar (…) não tem como abolir é só manifestação. (…) A cada dia somos mais a cada dia somos mais.” Podemos ver que a revolução anarquista cresce a cada dia. Incrível é acordar e estar consciente neste momento.

ACORDEM AGORA É O MOMENTO DA DIVISÃO CONTRA O CAPITAL. MAS A IMPRENSA ESCONDE, A POLICIA BATE EM 3 ESTUDANTES, A POLICIA FASCISTA SABE DO QUE ESTA HAVENDO E NÓS NÃO.
Após confronto com PM, estudantes invadem prédio da USP

A LA MIERDA REACIONÁRIOS:
Músicas:  SKA-P – A La Mierda. Ska-P -Solamente por Pensar. Carlo Giulianiica

ACORDAMOS PARA A REVOLTA ANARQUISTA MUNDIAL ?!

E VAMOS CONTINUAR COM A CONDIÇÃO RADICAL CONTRA O CAPITAL.
ACORDEI PARA O MOMENTO ANARCOMUNDIAL.

CONCORDAM COMIGO?

Manifestação em Londres termina em violência e confronto com a polícia

leiam o comentário da notícia:

“ADALBERTO | PI / TERESINA | 08/08/2011 13:09
Manifestantes ou Insurgentes?
Se fosse na Venezuela seriam “insurgentes” se manifestando contra o “regime” e clamando por democracia. As prisões seriam arbitrárias e os ingleses e americanos já teriam pedido (determinado) providências à ONU para “proteção” da população civil. ”

Campanha contra a violência na manifestação RTP1 – PRÓS E CONTRAS (campanha Manifestação)

Esse pede paz!
Protesto em Londres tem mais de 40 pessoas presas e 26 policiais feridos

Saques e mais detenções marcam terceiro dia de manifestações em Londres

A manifestação era controlada com violência e sem prisão, sem morte e com bala de borracha, agora estão havendo mortes e cada dia temos mais no exercito de cada lado. Por isso tamanha violência policial. Vemos o atentado ao capital e a luta para destruir a propriedade, esta classe dominante que responde com opressão, violência e ameniza o problema na mídia.

imagens de Londres – protesto

Musica: Ska-P – America Latina Libre!

A Europa acordou antes de nós, a democracia é mais consolidada a ponto da Revolução ou Levante Anarquista ser chamado de manifestação.

Acordem agora é o momento.

Aqui vemos a Manifestação moderada, ainda ligada ao capital e as vontades das classes que querem ascender, é apenas um protesto contra a corrupção, ainda não acordaram para o movimento contra o capital.
Manifestação contra corrupção reúne centenas na Av. Paulista
Poucos estão acordando, com um discurso contrário a manipulação e esclarecidos de seus ideais:
Anonymous Desmascara a veja um show de manipulaca
http://www.misturaindigesta.com.br/2011/10/coluna-do-leitor-sobre-ocupacao-do.html
http://forum.movimentozeitgeist.com.br/viewtopic.php?f=54&t=2288
http://www.dignow.org/post/movimento-acampa-sampa-a-veja-n%C3%A3o-nos-representa-3163361-54631.html
http://www.dignow.org/post/coluna-do-leitor-sobre-a-ocupa%C3%A7%C3%A3o-do-anhangaba%C3%BA-3166141-28486.html
http://forum.movimentozeitgeist.com.br/viewtopic.php?f=54&t=2288

http://www.youtube.com/watch?v=8KtC_OSupB4&feature=share

https://www.facebook.com/event.php?eid=181769615240378&notif_t=event_invite 
Não acordamos, temos o líder comunista que se aliou ao grupo da pior elite aristocratica o PMDB.

Dilma vê aprovação cair, mas é 2ª mais popular da América Latina

o mundo underground está acordando ou está sendo polarizado Skinheads usam briga política como pano de fundo para violência e a direita segue o pensar e está acordando:

“Mas as principais referências do grupo são o jornalista Olavo de Carvalho (que defende a pena de morte para os comunistas), o integralismo (versão nacional do nazismo) de Plínio Salgado e o ultra-conservadorismo de Plínio Correia de Oliveira, fundador da extinta TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Sobre a ditadura militar, Zenaro diz: “Se negarmos com veemência a ditadura não estaremos fazendo nada a mais do que reforçar o discurso comunista. A ditadura foi necessária num contexto”.

Na verdade, ele lamenta a falta de pulso do comando atual das Forças Armadas por não intervir no governo Luiz Inácio Lula da Silva durante o escândalo do mensalão.

“A função das Forças Armadas é respaldar as instituições democráticas. O Legislativo é uma delas. A partir do momento em que existiu um esquema para comprar o Legislativo e as Forças Armadas não depuseram o presidente, elas não cumpriram seu papel”.

Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.”

Seria o Anticristo niilista ? falo besteira ou é o anticristo dito por Nietchz.

Vocês compreenderam o dito acima? É uma declaração de extrema direita.

O mundo explode por outros lados fora do ocidente. Nos também estamos em queda.





Revolta Xenófoba

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/10/atentado-suicida-deixa-3-mortos-e-mais-de-20-feridos-na-turquia.html

Começou no restante do mundo, brasileiros acordem!

Utilizamos argumentos fracos e não abordamos teóricos anarquistas pois não temos o domínio para isso, pedimos que os conhecedores de Bakunin argumentem com embasamento teórico e não apenas com fatos que estão ocorrendo mundo afora assim como nós fizemos.

Nós podemos buscar uma sociedade plena de liberdade!

Nos EUA o movimento é mais calmo, é apenas ocupar a bolsa, sem fogo e violência. 
Enquanto na EUROPA eles destroem tudo pela frente. 
Aqui a luta é pela democracia “real” que é um movimento moderado. 
Mas lá no outro lado é a Anarquia.

Notas Posteriores:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=1qC-Rx7PH5A

Discurso de democracia quando deveria ser anarco
https://www.facebook.com/event.php?eid=258688750828711
http://www.democraciarealbrasil.org/

Manifestação, quase guerra civil na Italia.
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Manifestacoes-em-Italia-contra-Berlusconi.rtp&headline=20&visual=9&article=399421&tm=7
A Europa está em queda! Vejam o que a imprensa esconde!

Veja a Grécia
http://pt.euronews.net/tag/manifestaces-na-grecia/
http://www.record.xl.pt/fora_campo/interior.aspx?content_id=722482
http://www.google.com.br/search?gcx=c&ix=c1&sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=manifesta%C3%A7%C3%A3o+na+gr%C3%A9cia
http://pt.euronews.net/2011/06/16/grecia-escalada-de-contestacao-nas-ruas-e-no-parlamento/







http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZkB8_bEeMaM

Marcio Scavone – O Titereiro

Hoje é dia de retrato, ele nos recebeu na porta, cumprimentando e analisando cada personagem ou vítima de seu retrato, ele estuda e analisa seu personagem, pensa em como poderá trazer sua intimidade exposta em uma imagem, sendo este um retrato víscerado de seu íntimo, o sujeito capta a alma do retratado, como um pintor trabalhando por horas em sua ilustração de pincelada em pincelada, fotografo tem pouco menos de um quarto de segundo para captar sua obra pronta e pré montada.

O fotógrafo não é o sujeito que aperta o botão, ele retrata uma imagem que já existe em sua mente, busca em lugares e pessoas, sabe o que quer, premeditadamente cria esta imagem, dirigindo o personagem ou indivíduo a ponto de fazê-lo se expor como o fotógrafo deseja. Ele sabe a reação da pessoa, mexe e controla o sentimento dela para torna-la seu fantoche, a ponto de em meio segundo ele moldar, lapidar e compor a imagem e a reação desta marionete, por fim captá-la.

A modelo se sente privilegiada ao saber que é retratada como muitas modelos e poderosos foram, ela tenta por autonomia ajudá-lo a compor uma obra. Esta modelo representa a classe social e os que estão sendo privilegiados pelo curso gratuito, posa junto às cores do Carrefour, patrocinador do curso. Mas o fotógrafo faz com que a modelo, torne-se um alvo, faz a garota se sentir A MODELO, no processo foto-a-foto a excita e acende, a ponto dela se soltar e o fotógrafo ter total controle, é um diretor que controla sua marionete, é um controle mental e comportamental, ou seja, ele modela e flexiona suas ações para seu objetivo.

Nos contou a história de grandes fotógrafos, e o caso de um fotógrafo que no fim de sua vida decidiu que ia queimar toda a sua obra, rolos e rolos de filmes, e se suicidar, mas por interferência de autoridades ele foi impedido de concluir seu último e próprio retrato que iria findar sua própria vida. Parou de fotografar e guardou o que restou de sua obra em um quarto trancado a sete chaves, a ponto de apenas expor uma vez antes de sua morte aos 90 e poucos anos.

Marcio trouxe uma câmera nova digital, mas com a mecânica antiga Hasselblad (eu leigo, acho que é essa). No equipamento ele capta a imagem em RAW que é o negativo “digital”, trata dos tons, saturação e temperatura da imagem, termina de criar a imagem em seu computador, como se tratasse o filme ou negativo no processo de revelar a imagem, ou seja, ele capta a imagem e a cria e pincela em RAW, é um técnico de sua arte. Em quanto fotografa uma imagem em RAW, o leigo fotografa cem imagens em JPEG que nada mais é do que um arquivamento de imagem. Ele mostra toda a sua arte em RAW, manipulando sua ferramenta técnica.

O cara é um mestre de sua máquina, conhece como um engenheiro, todo o processo técnico. Mostrando seu processo desde a origem deste equipamento. Da técnica a história de seu inventor.

É o próprio preparador de seu equipamento para captar sua arte. O fotografo em sua carreira busca a imagem que representa seu mundo e sua imaginação, utiliza o equipamento que nada mais é que seu olho biônico, a extensão de seu corpo.

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Marcio Scavone (http://marcioscavone.com.br/):

Brazil [resenha]

Título original: Brazil

Direção: Terry Gilliam
Produção: Arnon Milchan
Elenco: Jonathan Pryce; Robert De Niro; Katherine Helmond; Ian Holm; Bob Hoskins; Michael Palin; Ian Richardson
Peter Vaughan; Kim Greist; Jim Broadbent
Gêneros: ficção científica e drama.
Tempo: 132min.
Ano: 1985.
País: Reino Unido

Filme Brazil

Esta dramática  ficção cientifica tem grande semelhança na idéia da obra 1984 de G. Orwell. Contudo é extremamente peculiar com o surrealismo presente, fazendo o expectador viajar para dentro do curioso mundo em que se passa a história do filme. Mas sofre com um enredo bem confuso.

O personagem vive em um mundo totalitário, um tanto hierarquizado e burocrata, com particularidades que nunca vi em outra obra, o Estado em que se passa a ficção é bastante repressor a todos que são contra ele. A obra nos mostra e satiriza a tragédia dos valores e dos costumes da modernidade. Distingui de 1984 nas estruturas estatais e de não estar constantemente em guerra. No Brazil o Estado é muito dependente das maquinas e suas tecnologias, ignorando a possibilidade de falhas no seu funcionamento.

A história tem inicio com justamente a falha de uma maquina que imprime o nome de condenados como terroristas (sujeitos contrários ao Estado totalitário), nesse erro ela faz a troca de algumas letras e condena um funcionário publico por engano ou por sabotagem do guerrilheiro condenado. Este personagem condenado erroneamente é filho de uma influente mulher viciada em cirurgias plástica, que passa por bizarros e rudimentares métodos para esticar a pele.

Em paralelo a história há uma outra, em um cenário completamente diferente, como se fosse uma outra vida ou um mundo de sonhos, lá há um romance entre o personagem principal e uma misteriosa mulher que ele busca constantemente encontrá-la, o curioso é que estes personagens voam e se perdem dentro deste cenário fantasioso que mais parece um labirinto verticalizado. Já no mundo real ele busca por ela constantemente.

Curioso é que a única relação entre o filme Brazil e o Brasil é a repetida trilha sonora Aquarela do Brasil.

Esta obra nos faz refletir algo parecido ao que refletimos ao ver o filme 1984, tanto o perigo do controle do Estado sob a população e também critica os valores de nossa sociedade pós-moderna e burocrata.

A Ponte [resenha]

Título original: The Bridge
Direção/Produção: Eric Steel
Gêneros: Documentário.
Tempo: 93min.
Ano: 2006.
País: EUA.

Documentário – A Ponte

Documentário que busca os motivos e a história de pessoas que cometeram suicídio na ponte Golden Gate Bridge de São Francisco.

A equipe do documentário filmou durante um ano, vinte quatro horas por dia a ponte e em pelo menos 2 vezes ou mais por mês algum indivíduo cometeu suicídio neste local, jogando suas peculiares e preciosas vidas ao choque com a água do mar neste triste ponto em que se pode avistar ao longe a ilha da antiga prisão fortificada de Alcatraz. Após isso a equipe tenta reconstruir a vida destas vítimas de suas próprias vidas, partindo do fim ou exato momento de suas mortes a busca de suas histórias por meio do contato com familiares e amigos para tentar compreender o que os levaram a tal nefasto destino.

Das histórias que mais me comoveu é a de um jovem que tem sua história contada por seus pais, este jovem que já tinha tentado findar sua vida por outras duas tentativas sem sucesso, ele afirmava que a terceira seria eficaz e o sucesso desta missão seria sua triste morte e dor ao ser lembrado por seus pais que o amavam, mas compreenderiam sua opção. Há uma fotografia que mostra o rapaz e a ponte ao fundo, em fevereiro de 1982. Tal imagem nos faz pensar na importância deste encontro que fascinou e o fez escolher este local para suicidar-se, a fotografia o exibe com vida no local em que ele acabou com sua vida para libertar seu corpo e sua angustia.

Em um momento o pai comenta a questão que atormentava a consciência de seu filho:
“Ele questionava se as pessoas consideravam o suicídio um pecado. Ele me perguntou isso muitas vezes. “Eu disse que isso é algo inerente de um homem. Pelo menos ele me agradeceu por lhe dizer a verdade. Você sabe, eu não penso que Deus vai responsabilizá-lo por algo que você não pode controlar. ‘Ele disse: Não sei se vou voltar ou não. Se não, fique sabendo que estarei em paz.’”
E o pai conclui falando que não queria que o filho ficasse em uma gaiola dentro de si próprio. Estas palavras exibem a compreensão do pai sobre o problema de seu filho que só se sentiria satisfeito com a própria morte.

Este rapaz pouco antes de cometer o suicídio foi indagado por dois homens que perguntaram a ele se não iria pular, eles acharam que o jovem apenas estava atravessando A Ponte, e suas últimas palavras foram, “É um longo caminho até lá embaixo”, de qualquer maneira chegamos a compreender que o jovem estava sim atravessando a ponte, mas em outro sentido além da compreensão de um transeunte da ponte.

Antes do suicídio ele fez diversas fotos da ponte, provavelmente para exibir o que seu olhos viam. Tais fotos são carregadas do sentimento de um suicida, como se por meio delas ele escrevesse sua carta.

Outra história triste e incrível é a de Kevin, que pulou da ponte e sobreviveu, pois no momento da queda decidiu sobreviver, lutou e resistiu a morte, quase morreu devido as fraturas e hemorragias. Seu pai e ele contam a história dos momentos que antecederam o ato e o que aconteceu após a tentativa de suicídio. Kevin relata suas aflições, agonia e seus tormentos, e os problemas que tem em casa devido o modo que sua família o vê, até hoje ele é acompanhado por ajuda psiquiatrica.

São cerca de seis a oito histórias contadas de pessoas que encontraram seu caminho final na ponte. O documentário nos mostra em seus minutos finais os tristes números da Golden Gate Bridge. No ano da gravação, 2004, foram vinte quatro pessoas que pularam para a morte. Nos últimos segundos eles exibem a lista dos nomes e datas de morte dos suicidas, na qual três corpos nunca foram recuperados.

Gene, outro que findou sua vida na Golden Gate, sua história é contada por sua avó e seus amigos mais próximos, são relatadas suas experiências com os amigos até a sua relação com sua mãe que faleceu pouco antes de seu suicídio. Seus amigos não compreendem sua escolha, mas sua avó foi a melhor a compreender a triste atitude de Gene. No documentário são exibidas cenas em que ele caminha sob a ponte até o momento de seu corpo tocar a água.

Este documentário nos faz compreender quão delicado é este tema do suicídio, que vai além da nossa compreensão, mas está escrito na história de vida destas pessoas carregadas de uma vontade e constante busca para acabarem com seus tormentos, por meio de uma triste solução e incompreendida muitas vezes por seus amigos e familiares.

Site Oficial:http://www.thebridge-themovie.com/new/index.html

FREI TITO

Quando secar o rio da minha infância
secará toda dor.
Quando os regatos límpidos de meu ser secarem
minh’alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes
– lá onde o ódio não tem teto para repousar.
Ali erguerei uma tenda junto aos bosques.
Todas as tardes me deitarei na relva
e nos dias silenciosos, farei minha oração.
Meu eterno canto de amor:
expressão pura da minha mais profunda angústia.

Nos dias primaverís, colherei flores
para meu jardim da saudade.
Assim, externarei a lembrança de um passado sombrio.

Paris, 12/10/1972 – Frei Tito

Comovente poema declamado no fim do filme Batismo de Sangue da triste história de luta do Frei Tito, este que foi torturado pelos militares durante o período da Ditadura Militar na década de 70.

Os Famosos Duendes da Morte [resenha]

Título original: Os Famosos e os Duendes da Morte
Direção: Esmir Filho
Roteiro: Esmir Filho e Ismael Caneppele, baseado em livro de Ismael Caneppele
Produção: Sara Silveira e Maria Ionescu
Elenco: Henrique Larré, Ismael Caneppele, Tuane Eggers, Samuel Reginatto.
Gêneros: Drama.
Tempo: 1h35min.
Ano: 2010.
País: Brasil.

Filme – Os Famosos Duendes da Morte

O filme inicia com um garoto assistindo o vídeo de uma linda garota com o namorado (Julian). E pouco antes ele escreveu em seu blog um poema que narra sutilmente toda a história do filme. A trama se passa em uma pequena colônia no Rio Grande do Sul.

Em uma cena extremamente trabalhada pelo diretor, este garoto aparece fumando maconha com seu melhor amigo no trilho de trem que corta a cidade. Esta cena tenta retratar o efeito que o entorpecente causa aos jovens e as alucinações, junto do tempo correndo em velocidade reduzida e prazerosa.

Ao decorrer vemos outra cena delicada, o jovem e seu amigo Diego encontram Julian (namorado da garota Jingle Jangle que estava no vídeo). Após isso ele começa a ter alucinações com a garota e o vídeo da vida dela correndo pela ponte que fica na divisa da cidade com o restante do mundo.


Outro momento ele sonha com Julian, o mesmo que ele havia encontrado na rua, este homem estava tocando flauta, sentado em um banco e iluminado por holofotes, como se estivesse em um show, depois disso o garoto vê a garota de camisola na ponte.

Após o dia passar este jovem escreve em seu blog uma poesia para ela: “Estar próximo não é físico”. Em outro vídeo que ele vê, sua alucinação vai além e ele sente como se estivesse afetuosamente junto dela. Com isso nos mostra como ele se conecta não fisicamente com a garota virtual.

[Trilha Sonora por Nelo Johann]

Por meio do programa de computador de conversa instantânea, MSN, ele tem diálogos com alguém, em suas palavra ele diz querer acabar com tudo isso, a pessoa de nickname “E.F.” responde a ele “na ponte?” “Voe para longe!”. Isto nos faz pensar o que o garoto busca e como irá voar para longe, com vida ou sem ela.

Esta obra tem pouco diálogo, pois as cenas são carregadas de sentimento e de significado que nos fazem compreender toda a trama, já as poucas falas são extremamente poéticas.

Em uma forte cena de um pesado sentimento melancólico, antes do amanhecer o garota passa próximo a casa e Julian e o vê na janela de seu quarto ascendendo e apagando a luz em um pequeno intervalo de tempo. Já ao clarear do dia frio e cinza da cidade, o jovem visita sua avó que o deixa por alguns minutos junto de seu avô que só compreende e fala alemão e o observa com muitas dúvidas, como se não conhecesse seu neto, uma triste contato que mostra o mundo que os separa, pouco antes disso sua avó diz que sonhou com seu jovem neto, em seu sonho ela caminhava próximo a porta de seu quarto e o ouvia chorar. Podemos perceber que sua solidão e tristeza é percebida por sua avó que sente como está seu neto com mais clareza ou com mais sentido que sua mãe que o vê diariamente, mas que mesmo não tem a mesma percepção que a avó.

Logo ao sair da casa de sua avó ele se aproxima da ponte e lá encontra muitas pessoas e inclusive seu melhor amigo Diego, que conta o que houve com a mulher que cometeu suicídio pulando da ponte, esta que está boiando morta na outra margem do rio, enquanto muitos na ponte fazem seu velório enquanto aguardam que o resgate chegue para recolher seu corpo, esta que era a mãe de duas crianças órfãs de pai e agora de mãe, colegas dos jovens na escola. A justificativa dela para tal ato segundo o que dizia em seu bilhete, era que precisava ver o pai das crianças (morto a dois anos). Ao decorrer as imagens mostram os momentos do suicídio. Em uma conversa que o jovem tem com seu amigo enquanto observam o corpo, o jovem diz que parece que a ponte o puxa para baixo. A partir daí ele começa novamente a ver imagens da misteriosa garota com Julian, ambos estão na ponte prontos para pular, então a vemos pular para ela findar sua jovem vida neste ponto de divisão entre a colônia e o caminho que os libertam desta melancólica e fria cidade. Então o Diego, começa a contar o que causou na família o suicídio de sua irmã, esta que é a mesma garota dos vídeos e das alucinações.


Diego fotografa o rosto do jovem sem nome, no momento em que ele salta da mureta da entrada de sua casa, tal cena faz referência quando fala que queria fotografar o rosto deles (suicidas) no momento em que saltam para a morte, pois ele queria ver se no último momento eles se arrependem.

Já em casa o jovem, discutindo com sua mãe por não ter levado flores no túmulo do pai, eles dizem alguma palavras impactantes:

“Mais tarde quando você ver, teu tempo ficou aqui nessa casa” – mãe.
“Dava um tempinho pra você visitar seu pai.”
“O veio já apodreceu e tu fica fazendo visitinha pra ele”
“Se tu não se importa, eu me importo” – mãe.

Na noite da festa junina, evento que reúne toda a colônia, o jovem está só encontra por acaso com o namorado da garota, encostado em seu fusca branco, eles bebem e o namorado da garota fuma maconha, eles decidem sair de lá e ir para algum lugar, sem planos, até que eles chegam ao trágico local da ponte, este mesmo local onde a garota se suicidou, nesta cena podemos ver as lágrimas nos olhos dos dois por lembrar da mesma garota amada por eles, esta ponte parece não terminar nunca, enquanto isso o rádio cruza com duas rádios, uma toca as músicas da festa junina, cantada em alemão e outra que toca a música tema. Depois de atravessarem com grande pesar a ponte que foi o ponto de suicídio de muitos, eles chegam a uma plantação e a atravessam a pé, até chegar em uma rede de distribuição de energia elétrica, lá ambos tem alucinações de serem acariciados com afetos pela garota, próximos aos cabos de alta tensão, os rostos dos três se tocam e a iluminação da cidade ou colônia acaba, provocada por alguma coisa que fica livre a compreensão do espectador.

O garoto aparece na festa com o semblante triste como se estivesse se despedindo de sua mãe, ele dança com ela e a abraça chorando, e some e a deixa aos prantos. Após esta triste cena ele aparece na ponte, como se estivesse se preparando para o suicídio, mas esta obra termina com a silhueta do garoto sumindo aos poucos ao longo da ponte como se estivesse atravessando a ponte para o outro lado e nos fica a dúvida para saber se ele cometeu suicídio ou se foi para fora da melancólica cidade, com destino ao desejado show do Bob Dylan que era
o objetivo do jovem no início do filme.

Esta obra retrata uma melancólica e triste paixão platônica de um garoto pela irmã suicida de seu melhor amigo. A história não está nos diálogos e sim nas imagens fantásticas, que mostram o presente e o passado se encontrando em um paradoxo temporal em uma mente criativa e adolescente de um apaixonado. Esta é uma bela e poética obra de arte que nos comove e busca nos fazer compreender os anseios de um adolescente em uma cidade distante do mundo e voltada para os costumes do passado que se chocam com a realidade virtual e com as novas gerações que querem um mundo novo. A trilha sonora foi escolhida com extremo cuidado pois nos ajuda a conectar completamente com esta obra.

Filme gravado nas cidades de Lajeado, Arroio do Meio, Estrela, Roca Sales, Teutônia e Catiporã, no Estado do Rio Grande do Sul.

Links Relacionados:

Desintegration

Site do Filme: [Link]

Entrevista com o Diretor: [link]

Premiações

FESTIVAL DO RIO
Ganhou
2009 – Redentor de Melhor Filme
2009 – Prêmio FIPRESCI

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE GUADALAJARA
Ganhou
2010 – Prêmio Público Milênio de Melhor Longa Iberoamericano de Ficção
2010 – Melhor Fotografia para Mauro Pinheiro Jr. (categoria Longa Ficção)
2010 – Prêmio FIPRESCI