"sua realidade segura por um fiapo de cabelo"

Marcio Scavone – O Titereiro

Hoje é dia de retrato, ele nos recebeu na porta, cumprimentando e analisando cada personagem ou vítima de seu retrato, ele estuda e analisa seu personagem, pensa em como poderá trazer sua intimidade exposta em uma imagem, sendo este um retrato víscerado de seu íntimo, o sujeito capta a alma do retratado, como um pintor trabalhando por horas em sua ilustração de pincelada em pincelada, fotografo tem pouco menos de um quarto de segundo para captar sua obra pronta e pré montada.

O fotógrafo não é o sujeito que aperta o botão, ele retrata uma imagem que já existe em sua mente, busca em lugares e pessoas, sabe o que quer, premeditadamente cria esta imagem, dirigindo o personagem ou indivíduo a ponto de fazê-lo se expor como o fotógrafo deseja. Ele sabe a reação da pessoa, mexe e controla o sentimento dela para torna-la seu fantoche, a ponto de em meio segundo ele moldar, lapidar e compor a imagem e a reação desta marionete, por fim captá-la.

A modelo se sente privilegiada ao saber que é retratada como muitas modelos e poderosos foram, ela tenta por autonomia ajudá-lo a compor uma obra. Esta modelo representa a classe social e os que estão sendo privilegiados pelo curso gratuito, posa junto às cores do Carrefour, patrocinador do curso. Mas o fotógrafo faz com que a modelo, torne-se um alvo, faz a garota se sentir A MODELO, no processo foto-a-foto a excita e acende, a ponto dela se soltar e o fotógrafo ter total controle, é um diretor que controla sua marionete, é um controle mental e comportamental, ou seja, ele modela e flexiona suas ações para seu objetivo.

Nos contou a história de grandes fotógrafos, e o caso de um fotógrafo que no fim de sua vida decidiu que ia queimar toda a sua obra, rolos e rolos de filmes, e se suicidar, mas por interferência de autoridades ele foi impedido de concluir seu último e próprio retrato que iria findar sua própria vida. Parou de fotografar e guardou o que restou de sua obra em um quarto trancado a sete chaves, a ponto de apenas expor uma vez antes de sua morte aos 90 e poucos anos.

Marcio trouxe uma câmera nova digital, mas com a mecânica antiga Hasselblad (eu leigo, acho que é essa). No equipamento ele capta a imagem em RAW que é o negativo “digital”, trata dos tons, saturação e temperatura da imagem, termina de criar a imagem em seu computador, como se tratasse o filme ou negativo no processo de revelar a imagem, ou seja, ele capta a imagem e a cria e pincela em RAW, é um técnico de sua arte. Em quanto fotografa uma imagem em RAW, o leigo fotografa cem imagens em JPEG que nada mais é do que um arquivamento de imagem. Ele mostra toda a sua arte em RAW, manipulando sua ferramenta técnica.

O cara é um mestre de sua máquina, conhece como um engenheiro, todo o processo técnico. Mostrando seu processo desde a origem deste equipamento. Da técnica a história de seu inventor.

É o próprio preparador de seu equipamento para captar sua arte. O fotografo em sua carreira busca a imagem que representa seu mundo e sua imaginação, utiliza o equipamento que nada mais é que seu olho biônico, a extensão de seu corpo.

___

Marcio Scavone (http://marcioscavone.com.br/):

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s