"sua realidade segura por um fiapo de cabelo"

1ª Aula – Moema é morta [1º Curso de História da Arte – Pinacoteca do Estado de São Paulo]

São Paulo, 16 de outubro de 2010.

Curso de História da Arte – Pinacoteca do Estado de São Paulo

MOEMA - Rodolfo Bernardelli (1852-1931)


1ª Aula – Moema é morta.

– Alexander Gaiotto Miyoshi

– Tese de doutorado em História da Arte defendida na Unicamp em março de 2010, sob a orientação do Prof. Jorge Coli. Período da tese, março de 2007 à março de 2010.

Estudo da Arte Brasileira do século XIX, segunda metade deste século, pintura e arte. Sobre a escultura Moema de Rodolfo Bernardelli (o exemplar está na Pinacoteca do Estado de São Paulo) e a pintura de Moema de Victor Meirelles (MASP), tal personagem retratada por estes dois artistas é personagem da obra literária Caramuru que é um poema épico do frei Santa Rita Durão. obras que inspiraram a tese.

O autor da tese fez o comparativo entre a obra literária, textos poéticos, pinturas e a escultura, inspirados em uma personagem secundária do Caramuru, que teve uma grande evidência, a Moema, indígena.

O palestrante abordou os seguintes temas durante o seminário:

– Origem literária;
– Exotismo;
– Erotismo;
– Retrato de mulheres mortas;
– Nacionalismo;
– Transformação dos significados de Moema: o “confronto” com Paraguaçu e a mulher indígena morta como representação alegórica do Brasil;
– Iracema (anagrama de América, segundo Afrânio Peixoto, 1931);
– Paraguaçu;
– Lindoia (personagem de outra obra épica que não se tornou alegoria, por ela se apaixonar por um índio e não um branco, como no Caramurú).

MOEMA - Rodolfo Bernardelli (1852-1931)

No início do século XIX veio a primeira representação da obra literária, feita por um autor desconhecido, na pintura “Episódios da Vida de Diogo Álvares Correia”, em Salvador, pertencente ao acervo do Mosteiro de São Bento da Bahia. Nesta obra Moema aparece de forma secundária ao fundo da obra e distante da evidência em que está Paraguaçu. Já a segunda representação feita da obra, foi a capa de uma edição francesa, em meados de 1830, tal imagem não aparece Moema, apena Caramuru e Paraguaçu. A terceira representação é semelhante a segundo, mas de uma edição portuguesa de 1835. A quarta é uma edição de 1935 onde há uma ilustração colorida de Moema agarrada ao leme do navio de Diogo. O palestrante exibe outras obras (pinturas) que exibem Paraguaçu que tem uma educação cristã, diferente de Moema que era mostrada como uma indígena selvagem e arredia.

Expos poemas que citam Paraguaçu e Moema. Um deles foi o Poema de Castro Alves e o compara com uma ilustração de Paraguaçu em guerra e outra de Victor Meirelles que exibe uma cena de um navio brasileiro na Guerra do Paraguai, que nesta momento o Brasil estava em guerra e a imagem de Paraguaçu foi usada como alegoria.

Alexander iniciou o tema do Exotismo da obra e expôs fatos importantes do final do século XIX, um deles foi que um importante crítico português sugeriu que as obras de Arte do Braasil (já independente) se espelhassem na Epopéia Caramuru.  E um importante crítico Francês, no mesmo período, fez uma recomendação da obra.

O autor da tese mostra que no mesmo período da metade do séc. XIX, muitas obras exploraram temas sensuais como releituras de Vênus, que foram muito criticadas. Já a imagem de Moema de Victor Meirelles (1866), que está nua morta na praia, porém é uma nova criação de seu corpo na praia, mas esta é uma nova criação para a narrativa, pois na obra Caramuru ela morre afogada e seu corpo some nas profundas águas do oceano. Mas o autor da tese, interpreta que a representação de Victor Meirelles pode ter se inspirado em um antigo epigrama grego.

Vitor Meirelles - Moema

Ele faz uma leitura da obra de V. Meirelles de que Moema mostra um povo que está em extinção (os indígenas), ou de que o Brasil estava se esvaindo a outras nações. Um detalhe sutil no quadro de um tronco retorcido, segundo o palestrante, pode ser a questão ambiental que estava sendo discutida pelos intelectuais, chamada de secamento das terras, discutidas no ambiente de intelectuais freqüentado por Victor. E podemos observar que na obra apesar das águas do oceano estarem a mostra há uma impressão de seca.

Já a Moema de Pedro Américo, tal obra exibe Moema nua deitada na praia de frente a lua e o oceano, ao fundo se vê a Nau de Diogo. Tal obra é considerada realista (obra sem data).

A Moema de Rodolfo Bernadelli (1894-95), que é uma escultura, usou uma modelo viva, ou seja, representação tomada do real. O palestrante detalha que a obra busca dinamismo, que busca o movimento das águas  que envolvem o corpo de Moema. Além disso ele exibe outras obras de Bernadelli que mostram  o movimento presente em suas obras e também exibe outras que podem ter inspirado o autor.

Por fim o palestrante faz uma comparação entre Moema e Iracema que compartilham uma história de índias que se apaixonaram por um Branco, algumas obras tanto de uma quanto de outra, se confundem devido a semelhança, ambas eram uma alegoria do Brasil de 1920, período do centenário da Independência.

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