"sua realidade segura por um fiapo de cabelo"

Arquivo para maio, 2011

FREI TITO

Quando secar o rio da minha infância
secará toda dor.
Quando os regatos límpidos de meu ser secarem
minh’alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes
– lá onde o ódio não tem teto para repousar.
Ali erguerei uma tenda junto aos bosques.
Todas as tardes me deitarei na relva
e nos dias silenciosos, farei minha oração.
Meu eterno canto de amor:
expressão pura da minha mais profunda angústia.

Nos dias primaverís, colherei flores
para meu jardim da saudade.
Assim, externarei a lembrança de um passado sombrio.

Paris, 12/10/1972 – Frei Tito

Comovente poema declamado no fim do filme Batismo de Sangue da triste história de luta do Frei Tito, este que foi torturado pelos militares durante o período da Ditadura Militar na década de 70.

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Os Famosos Duendes da Morte [resenha]

Título original: Os Famosos e os Duendes da Morte
Direção: Esmir Filho
Roteiro: Esmir Filho e Ismael Caneppele, baseado em livro de Ismael Caneppele
Produção: Sara Silveira e Maria Ionescu
Elenco: Henrique Larré, Ismael Caneppele, Tuane Eggers, Samuel Reginatto.
Gêneros: Drama.
Tempo: 1h35min.
Ano: 2010.
País: Brasil.

Filme – Os Famosos Duendes da Morte

O filme inicia com um garoto assistindo o vídeo de uma linda garota com o namorado (Julian). E pouco antes ele escreveu em seu blog um poema que narra sutilmente toda a história do filme. A trama se passa em uma pequena colônia no Rio Grande do Sul.

Em uma cena extremamente trabalhada pelo diretor, este garoto aparece fumando maconha com seu melhor amigo no trilho de trem que corta a cidade. Esta cena tenta retratar o efeito que o entorpecente causa aos jovens e as alucinações, junto do tempo correndo em velocidade reduzida e prazerosa.

Ao decorrer vemos outra cena delicada, o jovem e seu amigo Diego encontram Julian (namorado da garota Jingle Jangle que estava no vídeo). Após isso ele começa a ter alucinações com a garota e o vídeo da vida dela correndo pela ponte que fica na divisa da cidade com o restante do mundo.


Outro momento ele sonha com Julian, o mesmo que ele havia encontrado na rua, este homem estava tocando flauta, sentado em um banco e iluminado por holofotes, como se estivesse em um show, depois disso o garoto vê a garota de camisola na ponte.

Após o dia passar este jovem escreve em seu blog uma poesia para ela: “Estar próximo não é físico”. Em outro vídeo que ele vê, sua alucinação vai além e ele sente como se estivesse afetuosamente junto dela. Com isso nos mostra como ele se conecta não fisicamente com a garota virtual.

[Trilha Sonora por Nelo Johann]

Por meio do programa de computador de conversa instantânea, MSN, ele tem diálogos com alguém, em suas palavra ele diz querer acabar com tudo isso, a pessoa de nickname “E.F.” responde a ele “na ponte?” “Voe para longe!”. Isto nos faz pensar o que o garoto busca e como irá voar para longe, com vida ou sem ela.

Esta obra tem pouco diálogo, pois as cenas são carregadas de sentimento e de significado que nos fazem compreender toda a trama, já as poucas falas são extremamente poéticas.

Em uma forte cena de um pesado sentimento melancólico, antes do amanhecer o garota passa próximo a casa e Julian e o vê na janela de seu quarto ascendendo e apagando a luz em um pequeno intervalo de tempo. Já ao clarear do dia frio e cinza da cidade, o jovem visita sua avó que o deixa por alguns minutos junto de seu avô que só compreende e fala alemão e o observa com muitas dúvidas, como se não conhecesse seu neto, uma triste contato que mostra o mundo que os separa, pouco antes disso sua avó diz que sonhou com seu jovem neto, em seu sonho ela caminhava próximo a porta de seu quarto e o ouvia chorar. Podemos perceber que sua solidão e tristeza é percebida por sua avó que sente como está seu neto com mais clareza ou com mais sentido que sua mãe que o vê diariamente, mas que mesmo não tem a mesma percepção que a avó.

Logo ao sair da casa de sua avó ele se aproxima da ponte e lá encontra muitas pessoas e inclusive seu melhor amigo Diego, que conta o que houve com a mulher que cometeu suicídio pulando da ponte, esta que está boiando morta na outra margem do rio, enquanto muitos na ponte fazem seu velório enquanto aguardam que o resgate chegue para recolher seu corpo, esta que era a mãe de duas crianças órfãs de pai e agora de mãe, colegas dos jovens na escola. A justificativa dela para tal ato segundo o que dizia em seu bilhete, era que precisava ver o pai das crianças (morto a dois anos). Ao decorrer as imagens mostram os momentos do suicídio. Em uma conversa que o jovem tem com seu amigo enquanto observam o corpo, o jovem diz que parece que a ponte o puxa para baixo. A partir daí ele começa novamente a ver imagens da misteriosa garota com Julian, ambos estão na ponte prontos para pular, então a vemos pular para ela findar sua jovem vida neste ponto de divisão entre a colônia e o caminho que os libertam desta melancólica e fria cidade. Então o Diego, começa a contar o que causou na família o suicídio de sua irmã, esta que é a mesma garota dos vídeos e das alucinações.


Diego fotografa o rosto do jovem sem nome, no momento em que ele salta da mureta da entrada de sua casa, tal cena faz referência quando fala que queria fotografar o rosto deles (suicidas) no momento em que saltam para a morte, pois ele queria ver se no último momento eles se arrependem.

Já em casa o jovem, discutindo com sua mãe por não ter levado flores no túmulo do pai, eles dizem alguma palavras impactantes:

“Mais tarde quando você ver, teu tempo ficou aqui nessa casa” – mãe.
“Dava um tempinho pra você visitar seu pai.”
“O veio já apodreceu e tu fica fazendo visitinha pra ele”
“Se tu não se importa, eu me importo” – mãe.

Na noite da festa junina, evento que reúne toda a colônia, o jovem está só encontra por acaso com o namorado da garota, encostado em seu fusca branco, eles bebem e o namorado da garota fuma maconha, eles decidem sair de lá e ir para algum lugar, sem planos, até que eles chegam ao trágico local da ponte, este mesmo local onde a garota se suicidou, nesta cena podemos ver as lágrimas nos olhos dos dois por lembrar da mesma garota amada por eles, esta ponte parece não terminar nunca, enquanto isso o rádio cruza com duas rádios, uma toca as músicas da festa junina, cantada em alemão e outra que toca a música tema. Depois de atravessarem com grande pesar a ponte que foi o ponto de suicídio de muitos, eles chegam a uma plantação e a atravessam a pé, até chegar em uma rede de distribuição de energia elétrica, lá ambos tem alucinações de serem acariciados com afetos pela garota, próximos aos cabos de alta tensão, os rostos dos três se tocam e a iluminação da cidade ou colônia acaba, provocada por alguma coisa que fica livre a compreensão do espectador.

O garoto aparece na festa com o semblante triste como se estivesse se despedindo de sua mãe, ele dança com ela e a abraça chorando, e some e a deixa aos prantos. Após esta triste cena ele aparece na ponte, como se estivesse se preparando para o suicídio, mas esta obra termina com a silhueta do garoto sumindo aos poucos ao longo da ponte como se estivesse atravessando a ponte para o outro lado e nos fica a dúvida para saber se ele cometeu suicídio ou se foi para fora da melancólica cidade, com destino ao desejado show do Bob Dylan que era
o objetivo do jovem no início do filme.

Esta obra retrata uma melancólica e triste paixão platônica de um garoto pela irmã suicida de seu melhor amigo. A história não está nos diálogos e sim nas imagens fantásticas, que mostram o presente e o passado se encontrando em um paradoxo temporal em uma mente criativa e adolescente de um apaixonado. Esta é uma bela e poética obra de arte que nos comove e busca nos fazer compreender os anseios de um adolescente em uma cidade distante do mundo e voltada para os costumes do passado que se chocam com a realidade virtual e com as novas gerações que querem um mundo novo. A trilha sonora foi escolhida com extremo cuidado pois nos ajuda a conectar completamente com esta obra.

Filme gravado nas cidades de Lajeado, Arroio do Meio, Estrela, Roca Sales, Teutônia e Catiporã, no Estado do Rio Grande do Sul.

Links Relacionados:

Desintegration

Site do Filme: [Link]

Entrevista com o Diretor: [link]

Premiações

FESTIVAL DO RIO
Ganhou
2009 – Redentor de Melhor Filme
2009 – Prêmio FIPRESCI

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE GUADALAJARA
Ganhou
2010 – Prêmio Público Milênio de Melhor Longa Iberoamericano de Ficção
2010 – Melhor Fotografia para Mauro Pinheiro Jr. (categoria Longa Ficção)
2010 – Prêmio FIPRESCI


21 de maio de 2011

Como se todos fossem loucos por natureza,
será que são loucos, achava que eu era louco.
Sou Lúcido. Luciano!

Criação de Verdade…
Loucos com uma sobriedade de extrema criação superando os momentos de máxima inspiração,
com seu antigo companheiro eles se compreendem demais.
De loucos para pseudo-lúcidos.
Notas Mentais de um Esquecido.


1984 [resenha]

Título original: 1984
Direção: Michael Radford
Produção: Umbrella-Rosenblum Films Production.
Elenco: John Hurt – Winston Smith, Richard Burton – O’Brien, Suzanna Hamilton – Julia.
Gêneros: ficção científica e drama.
Tempo: 113min.
Ano: 1984.
País: Reino Unido

Filme – 1984

O Filme é uma dramática ficção científica, baseada na obra de George Orwell. A história se passa em uma Nação, Estado ou País, chamado Oceania. Que está em guerra por logos anos com a Eurásia e depois com a Estásia, controlada pelo confuso nome de Ministério da Paz, nome conflitante, mas característico na obra, pois faz o jogo de inversão com o nome dos Ministérios e suas funções, como por exemplo, o da Paz (que lida com a guerra), o do Amor (que é responsável pela espionagem, julgamento, opressão e tortura aos contrários e opositores ao regime) e o da Fartura (este que altera dados estatísticos para criar uma falsa noção de fartura, mas que na realidade encobre a escassez dos produtos de todos os tipos), nada mais é que o oposto do que realmente significa. Os Ministérios são responsáveis por manter a harmonia da ideologia do Partido e a população, independente dos meios usados por eles.

Um dos meios mais geniais, bizarros e vergonhosos de manipulação e controle do pensamento da população é a língua, chamada de Novilíngua, criada pelo Ministério da Verdade, mas tal língua ainda estava em construção, porém quando concluída poderia por si só impedir qualquer pensamento e expressão contrária ao regime, pois é composta do paradoxo, duas expressões ou pensamentos conflitantes fariam o uso da mesma palavra e aceitar tais significações opostas, como o caso dos nomes dos Ministérios.


A Oceania passa por um regime totalitário e de controle extremo da população que em sua maioria é operária e são alienadas as suas vontades, pois vivem sob um controle total de suas ações pelo estado, não podendo se relacionar intimamente ou ter qualquer emoção com as outras pessoas. Tal Estado reprime qualquer tentativa ou pensamento que possa ser contra o ele o Grande Irmão que está observando a todos, por meio de uma espécie de televisão que mostra os dois lados, tanto para quem observa como para quem aparece, é como chamamos atualmente de vídeo conferência, como se na televisão houvesse uma câmera, mas muitas das vezes a imagem que aparece é apenas o Grande Irmão, este dispositivo é chamado na obra como Teletela.

Os personagens principais são Winston Smith e Julia, são dois proletários que se relacionam secretamente, pois sexo se não para a procriação é considerado crime, até que a chamada Polícia do Pensamento os descobre e além disso encontra alguns dos escritos e pensamentos de Smith que o condena a prisão, mas após Smith ter recebido um livro com conteúdo criminoso de O’Brien que pertence a um alto cargo do partido. Sendo que este homem, é o mesmo que controla a tortura e a penitência de Smith.

Smith trabalhava no Ministério da Verdade, orgão que cuida da informação, fazendo o trabalho burocrata de refazer a história da Oceania, tornando todos os feitos eternos, infalíveis e limpando qualquer vestígio de erro do Partido, refazendo ou retificando  documentos, notícias e outros dados que possam ser diferentes da verdade presente do Partido. Este personagem sofre com a falta de suas lembranças da infância, ou de anos anteriores a mudança política, apenas recorda do momento em que saiu de casa, travessura de criança, quando retornou e encontrou sua mãe morta.

Ao longo da história, aparecem personagem confessando seus crimes, mas após as torturas e lavagem cerebral, assim eles mesmos confessam e justificam seus atos como “Distúrbios Mentais”. E o Partido os apaga da história, excluindo todos os registros destes homens, documentos e qualquer vestígio de que existiram.

Algumas falas do personagem muito chamou minha atenção:

A frase: Big Brother is Watching You (“O Grande Irmão está te observando”) conota especificamente a vigilância invasiva frequente.

“Crime Mental significa a morte.”

“Tudo desaparece na neblina. O Passado é apagado, o que foi apagado é esquecido. A mentira torna-se verdade e logo vira mentira de novo.”

“A guerra é feita pelos dirigentes contra seus cidadãos. E seu objetivo não é a Vitória sobre a Eurasia ou Estasia… mas manter intacto o equilíbrio da sociedade.”
Encontrei um comentário na Wikipedia sobre o livro que muito se aplica ao que acontece no filme e conclui o objetivo da guerra constante, presente na obra de Orwell.

“No livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra. Segundo ele, o objectivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos. Assim, um dos lemas do Partido, “guerra é paz”, é explicado no livro de Emmanuel Goldstein: “Uma paz verdadeiramente permanente seria o mesmo que a guerra permanente“. ( http://pt.wikipedia.org/wiki/1984_(livro) em 19 de maio de 2011.)

Tal obra faz é extremamente curiosa e recomendável, pois faz um paralelo entre os regimes totalitários de Hitler e Stalin, e cria um pano de fundo muito mais atraente do que o Drama dos personagens que nele aparecem, tal pano de fundo é criado com extrema delicadeza de descrição, prendendo a atenção do telespectador nas quase duas horas de filme. Depois dessas horas de filme, levamos um bom tempo para digerir como o controle do estado sobre o povo é perigoso e deve ser combatido, para evitar tais abusos a integridade do cidadão.


Na Natureza Selvagem – Into The Wild

Há alguns dias assisti esta obra de arte que nos instiga a liberdade e nos faz rever nossos valores e o que buscamos em nossas vidas, listei algumas falas do filme que quero eternizar em minhas notas. Recomendo a todos aventureiros de coração a assistir esta missão de uma vida e se comover com as experiências enfrentadas por Chris ou ALEXANDER SUPERTRAMP .

1- Saída de Fairbanks.
2- Atravessei rio grande.
3- Dia da “Denali”.
4- Dia do autocarro mágico.

Ele andou por dois anos. Sem telefone, sem piscina, sem animais, e nem cigarros.

Última liberdade. Um extremista. Um viajante simpático… cuja estrada é seu lar.

“Ei, escute, velhote. Não me psicanálise, certo?”

“Cale-se. Estou te dando carona. “

“Para onde você está indo?”

“Já disse. Estamos sem destino!”

Então, depois de dois anos de aventura, chega a última e maior delas.

A luta climática para matar o falso ser interior… e vitoriosamente concluir sua revolução espiritual.

Para não ser mais envenenado pela civilização, ele foge, e anda só pela terra para se… perder na natureza selvagem.

Auto-retrato encontrado, em sua câmera e depois revelado

Percebi que as palavras no meu pensamento… tinham cada vez menos significado. Chris estava escrevendo sua história, e teria de ser o Chris a contá-la.

A FELICIDADE SÓ É VERDADEIRA QUANDO É PARTILHADA TIVE UMA VIDA FELIZ, OBRIGADO SENHOR. ADEUS E QUE DEUS POSSA ABENÇOAR A TODOS!

O SELVAGEM ALEXANDER SUPERTRAMP – MAIO 1992

Tratar cada coisa pelo seu verdadeiro nome.” “Pelo seu verdadeiro nome.”

Direção: Sean Penn.
Roteiro: Sean Penn adaptando livro de Jon Krakauer.
Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook.
Ano: 2007 (EUA) / 2008 (BRA).
Gênero: Biografia, Drama.
Tempo: 140 min.


1ª Aula – Moema é morta [1º Curso de História da Arte – Pinacoteca do Estado de São Paulo]

São Paulo, 16 de outubro de 2010.

Curso de História da Arte – Pinacoteca do Estado de São Paulo

MOEMA - Rodolfo Bernardelli (1852-1931)


1ª Aula – Moema é morta.

– Alexander Gaiotto Miyoshi

– Tese de doutorado em História da Arte defendida na Unicamp em março de 2010, sob a orientação do Prof. Jorge Coli. Período da tese, março de 2007 à março de 2010.

Estudo da Arte Brasileira do século XIX, segunda metade deste século, pintura e arte. Sobre a escultura Moema de Rodolfo Bernardelli (o exemplar está na Pinacoteca do Estado de São Paulo) e a pintura de Moema de Victor Meirelles (MASP), tal personagem retratada por estes dois artistas é personagem da obra literária Caramuru que é um poema épico do frei Santa Rita Durão. obras que inspiraram a tese.

O autor da tese fez o comparativo entre a obra literária, textos poéticos, pinturas e a escultura, inspirados em uma personagem secundária do Caramuru, que teve uma grande evidência, a Moema, indígena.

O palestrante abordou os seguintes temas durante o seminário:

– Origem literária;
– Exotismo;
– Erotismo;
– Retrato de mulheres mortas;
– Nacionalismo;
– Transformação dos significados de Moema: o “confronto” com Paraguaçu e a mulher indígena morta como representação alegórica do Brasil;
– Iracema (anagrama de América, segundo Afrânio Peixoto, 1931);
– Paraguaçu;
– Lindoia (personagem de outra obra épica que não se tornou alegoria, por ela se apaixonar por um índio e não um branco, como no Caramurú).

MOEMA - Rodolfo Bernardelli (1852-1931)

No início do século XIX veio a primeira representação da obra literária, feita por um autor desconhecido, na pintura “Episódios da Vida de Diogo Álvares Correia”, em Salvador, pertencente ao acervo do Mosteiro de São Bento da Bahia. Nesta obra Moema aparece de forma secundária ao fundo da obra e distante da evidência em que está Paraguaçu. Já a segunda representação feita da obra, foi a capa de uma edição francesa, em meados de 1830, tal imagem não aparece Moema, apena Caramuru e Paraguaçu. A terceira representação é semelhante a segundo, mas de uma edição portuguesa de 1835. A quarta é uma edição de 1935 onde há uma ilustração colorida de Moema agarrada ao leme do navio de Diogo. O palestrante exibe outras obras (pinturas) que exibem Paraguaçu que tem uma educação cristã, diferente de Moema que era mostrada como uma indígena selvagem e arredia.

Expos poemas que citam Paraguaçu e Moema. Um deles foi o Poema de Castro Alves e o compara com uma ilustração de Paraguaçu em guerra e outra de Victor Meirelles que exibe uma cena de um navio brasileiro na Guerra do Paraguai, que nesta momento o Brasil estava em guerra e a imagem de Paraguaçu foi usada como alegoria.

Alexander iniciou o tema do Exotismo da obra e expôs fatos importantes do final do século XIX, um deles foi que um importante crítico português sugeriu que as obras de Arte do Braasil (já independente) se espelhassem na Epopéia Caramuru.  E um importante crítico Francês, no mesmo período, fez uma recomendação da obra.

O autor da tese mostra que no mesmo período da metade do séc. XIX, muitas obras exploraram temas sensuais como releituras de Vênus, que foram muito criticadas. Já a imagem de Moema de Victor Meirelles (1866), que está nua morta na praia, porém é uma nova criação de seu corpo na praia, mas esta é uma nova criação para a narrativa, pois na obra Caramuru ela morre afogada e seu corpo some nas profundas águas do oceano. Mas o autor da tese, interpreta que a representação de Victor Meirelles pode ter se inspirado em um antigo epigrama grego.

Vitor Meirelles - Moema

Ele faz uma leitura da obra de V. Meirelles de que Moema mostra um povo que está em extinção (os indígenas), ou de que o Brasil estava se esvaindo a outras nações. Um detalhe sutil no quadro de um tronco retorcido, segundo o palestrante, pode ser a questão ambiental que estava sendo discutida pelos intelectuais, chamada de secamento das terras, discutidas no ambiente de intelectuais freqüentado por Victor. E podemos observar que na obra apesar das águas do oceano estarem a mostra há uma impressão de seca.

Já a Moema de Pedro Américo, tal obra exibe Moema nua deitada na praia de frente a lua e o oceano, ao fundo se vê a Nau de Diogo. Tal obra é considerada realista (obra sem data).

A Moema de Rodolfo Bernadelli (1894-95), que é uma escultura, usou uma modelo viva, ou seja, representação tomada do real. O palestrante detalha que a obra busca dinamismo, que busca o movimento das águas  que envolvem o corpo de Moema. Além disso ele exibe outras obras de Bernadelli que mostram  o movimento presente em suas obras e também exibe outras que podem ter inspirado o autor.

Por fim o palestrante faz uma comparação entre Moema e Iracema que compartilham uma história de índias que se apaixonaram por um Branco, algumas obras tanto de uma quanto de outra, se confundem devido a semelhança, ambas eram uma alegoria do Brasil de 1920, período do centenário da Independência.


Revolução dos Bichos George Orwell [resenha]

Filme inspirado no livro de George Orwel, A Revolução dos Bichos.

Filme – A Revolução dos Bichos

Na primeira impressão mais parece um filme infantil que um filme adulto e político.

Logo no início do filme começamos a ver o fazendeiro bêbado trabalhando arando o campo que por acaso fica com as linhas na terra feitas com o arado completamente tortas, então este homem castiga seu cavalo (de nome Boxer), este que puxa o arado, mas neste momento uma cadela o defende e derruba seu dono no chão. Logo após o ocorrido, ela a cadela, conversa com o cavalo sobre uma reunião geral dos animais no celeiro, convocada pelo porco (de nome Old Major).

Muitas outras cenas vem ao decorrer, que exibem os problemas financeiros e com bebida do fazendeiro, o Senhor Jones, que deixa de alimentar os animais para economizar o dinheiro da ração para pagar seus outros gastos com a bebida e prazeres, contudo o armazém está repleto de alimento, cereais e outros que a fazenda produziu.

No celeiro na reunião geral dos animais, vemos que o porco Old Major, este que é uma alegoria a Karl Marx, pronunciando aos outros animais, lembrando a igualdade entre eles animais e expondo a exploração que sofrem por parte do fazendeiro (monarquia Czarina) e pelos homens (alegoria a nobreza), e que por meio de seus estudos ele acredita que a solução é a revolução contra o homem e a tomada da fazenda para ser administrada pelos animais.

Contudo esta Assembléia animal faz muito barulho e chama a atenção do Sr. Jones, que vai verificar o que está havendo no celeiro, que por acaso acredita que é alguma raposa ou outro animal molestando seus animais da fazenda, acidentalmente ele escorrega no barro do lado de fora do celeiro e dispara seu rifle, matando tragicamente o porco Old Major (podemos lembrar do ocorrido na praça vermelha, onde milhares de manifestantes russos foram assassinados pelo exército vermelho que continha a multidão), tornando-se um mártir para esta revolução que se torna concreta no dia seguinte liderada por dois outros porcos, Napoleon (este que representa o Stalin) e SnowBall (que representa Trotski), ambos eram o braço direito de Old Mjor e aprenderam os princípios com ele, a filosofia do Animalismo, mas são líderes diferentes em atitudes. Então os animais se organizam e tomam a fazenda, expulsando os proprietários falidos que eram donos da fazenda por gerações (a fazenda seria a Rússia e a geração de donos seria uma representação a hereditariedade monárquica).

Então a fazenda sob o controle dos animais, os porcos se destacam como líderes, em certos momentos há decisões feitas de comum acordo entre os animais, mas outras são a revelia da vontade dos porcos, que gradativamente vão se tornando autoritários, enquanto isso o porco Napoleon recruta os cães da fazenda para tornarem seus guardas (referência a KGB), sendo que muitos deles são os filhotes desmamados e capturados por Napoleon, da cadela que colaborou com a tomada da fazenda, a mesma que defendeu o cavalo no início da história.

Um dos porcos escreve na parede do celeiro todas as leis e decretos da Fazenda Animal (nome dado a fazenda pelos animais), leis que no início foram propostas por Old Major.

Até que em um determinado momento em uma Assembléia os animais discutem a criação do moinho que poderá facilitar a vida dos animais, SnowBall propõe uma votação e sugere reduzir a carga de trabalho, já Napoleon é contrario a redução de trabalho e acredita que o moinho poderá ser algo que aumente a produção da fazenda, surge aí o conflito de liderança entre SnowBall e Napoleon, então Napoleon que é autoritário não permite a liderança de SnowBall e Napoleon ordena que os cães vão a sua caça (lembrando a fulga de Trotski da URSS).

Com a fazenda sob o controle do déspota Napoleon, a qualidade de vida começa a piorar para os outros animais que sofrem novamente com a fome e trabalho excessivo. O mesmo porco que havia escrito as leis, torna-se o interlocutor e braço direito de Napoleon, com isso desfruta dos prazeres que Napoleon usufrui, assim durante a noite altera as leis adicionando palavras que distorcem seus ideais iniciais, como por exemplo, a lei de igualdade entre os animais e a proibição deles de dormirem em camas. Em algum momento antes ou após a expulsão de SnowBall, Napoleon e seu braço direito ocuparam a casa e começaram a viver do prazer de dormir em cama, comer (maça) e beber (leite), mas não permitiram tais regalias aos outros animais, fizeram decretos autoritários que proibiram o consumo de maças pelos outros animais e obrigaram a racionarem o leite.

Muitas outras “sujeiras” ocorrem no decorrer da trama. Temos a destruição do Moinho por sabotagem do fazendeiro e que por acaso Napoleon culpa SnowBall, para torna-lo inimigo de todos os animais. São criadas estátuas uma para Napoleon e outra para Old Major. Há a tentativa de tomada da fazenda pelos fazendeiros vizinhos que são logo expulsos, junto nesta tentativa estava presente o rico fazendeiro, foi este homem que o antigo dono da Fazenda Animal pede dinheiro emprestado para evitar perder a fazenda para os bancos. Para entender o que estava ocorrendo na Fazenda Animal os fazendeiros colocaram uma escuta para monitorá-la (lembrando as agências de Inteligências agindo para monitorar a URSS, durante o período da Guerra Fria).

Os fazendeiros ao compreender que os porcos eram os líderes, por meio da escuta, o Fazendeiro Rico (que podemos associar a Europa) decide negociar e comercializar produtos feitos na Fazenda Animal. Tal negociação foi um sucesso então a exploração dos animais e lucros dos porcos se tornam mais concretos, com este lucro e com a apresentação do Whisky aos porcos, estes tornam-se alcoólatras e gastam todo o lucro com o Whisky. Também caçam e prendem os animais que se tornam opositores do regime, ao verem tais explorações por parte dos dirigentes da Fazenda Animal.

Desta forma os porcos vão cada vez mais se igualando aos homens que foram combatidos pelos animais, assim os animais perceberam que a situação estava se repetindo e piorando gradativamente, então decidem fugir da fazenda para esperar sua queda ou sua auto-destruição, para então regressarem anos depois. Ou seja, a história termina com a queda do murro de Berlim ou então com a queda do muro que cercava a fazenda, isolando-a de todas as divisas.

Primeiras Leis:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.

2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.

3. Nenhum animal usará roupas.

4. Nenhum animal dormirá em cama.

5. Nenhum animal beberá álcool.

6. Nenhum animal matará outro animal.

7. Todos os animais são iguais.

Leis Alteradas:

4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.

5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.

6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.

7. Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

Este filme faz diversas analogias à história da URSS e o que estava acontecendo ao Mundo Bipolar, ele acrescenta e muito, pois nos faz associar História aos personagens animais, que parece uma obra voltada para crianças, mas que por de trás dela conta a trajetória do início ao fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.